Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é preso por corrupção

Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa é preso por corrupção
por Kallman Cipriano abr, 17 2026

A Polícia Federal prendeu, na quinta-feira, 16 de abril de 2026, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A ação ocorreu durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, focada em um esquema bilionário de fraudes financeiras que abalou as estruturas do governo distrital. A prisão preventiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultando em duas ordens de prisão e sete mandados de busca e apreensão cumpridos entre São Paulo e o Distrito Federal.

Aqui está o ponto central da história: não estamos falando apenas de erros de gestão ou falhas administrativas. O caso evoluiu para a materialidade do crime. A investigação, conduzida em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), aponta que Costa teria utilizado engenharia financeira para mascarar o recebimento de aproximadamente R$ 146,5 milhões em propinas. O dinheiro teria sido pulverizado através de empresas de fachada e a compra de seis imóveis de luxo.

O escândalo da Operação Compliance Zero

Para entender como chegamos a esse ponto, é preciso voltar a 18 de novembro de 2025, data em que a Operação Compliance ZeroBrasília foi deflagrada. O cerne da investigação é a compra de carteiras de crédito inexistentes do Banco Master pelo BRB, totalizando um montante astronômico de R$ 12,2 bilhões.

Mas o que realmente pesou contra o ex-gestor foram as provas digitais. Mensagens trocadas entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro revelam a combinação direta de pagamentos. Segundo analistas da PF, as mensagens são a "prova real" do ajuste, transformando conjecturas em evidências materiais. O esquema era sofisticado: propriedades de alto padrão serviam como "cofres" para lavar a fortuna recebida ilegalmente.

As acusações contra o ex-presidente são graves e abrangem diversos crimes:

  • Corrupção passiva e lavagem de dinheiro;
  • Gestão fraudulenta e organização criminosa;
  • Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional;
  • Uso de empresas de fachada para ocultação de bens.

A sequência de quedas e a sucessão no BRB

A queda de Costa não foi imediata, mas sim um efeito dominó. No mesmo dia do lançamento da operação, em 18 de novembro de 2025, a 10ª Vara Federal de Brasília determinou seu afastamento por 60 dias. Poucas horas depois, no dia 19, o então governador Ibaneis Rocha decidiu exonerá-lo definitivamente.

Com o vácuo no comando, Nelson Antônio de Souza assumiu a presidência do banco em 27 de novembro de 2025. A nova gestão, tentando limpar a imagem da instituição, contratou o escritório Machado Meyer Advogados em 2 de dezembro de 2025 para realizar uma auditoria independente e vasculhar cada centavo da operação Compliance Zero.

Curiosamente, enquanto a justiça apertava o cerco contra o ex-chefe, o banco enfrentava crises internas. Em 14 de abril de 2026, apenas dois dias antes da prisão de Costa, Nelson Souza anunciou um plano rigoroso de corte de despesas, que prevê o fechamento de agências que não dão lucro. É a tentativa de sanar a sangria financeira deixada pela gestão anterior.

Reações políticas e o impacto no mercado

Reações políticas e o impacto no mercado

A prisão causou um mal-estar evidente nos corredores do Governo do Distrito Federal (GDF). A atual governadora, Celina Leão, evitou entrar no mérito político, limitando-se a dizer que a detenção de Paulo Henrique Costa é um "assunto de Justiça". A frase, curta e direta, tenta blindar o governo de qualquer associação com a trama criminosa.

No mercado financeiro, a sensação é de choque, mas também de alívio por ver a materialização das provas. A venda de R$ 12,2 bilhões em créditos fantasmas é um dos maiores escândalos de fraude bancária recente no país. Especialistas alertam que a governança do BRB precisará de anos para recuperar a confiança de investidores e correntistas.

O caso agora segue para as instâncias judiciais, onde a PF deverá apresentar o indiciamento formal. Com a prova material das mensagens e a rastreabilidade dos R$ 146 milhões em imóveis, as chances de condenação são consideradas altas por juristas da área criminal.

Perguntas Frequentes

Perguntas Frequentes

Qual é a principal prova contra Paulo Henrique Costa?

A prova mais contundente são as mensagens trocadas entre o ex-presidente e Daniel Vorcaro, onde combinavam pagamentos. Além disso, a Polícia Federal rastreou a transferência de R$ 146 milhões através da aquisição de seis imóveis de alto padrão e o uso de empresas de fachada.

O que foi a fraude dos R$ 12,2 bilhões?

A Operação Compliance Zero investiga a compra de carteiras de crédito inexistentes do Banco Master pelo BRB. Na prática, o banco teria pago por ativos que não existiam, resultando em um prejuízo bilionário e indícios de corrupção no topo da hierarquia.

Quem está comandando o BRB atualmente?

O banco é atualmente presidido por Nelson Antônio de Souza, que assumiu o cargo em 27 de novembro de 2025. Ele implementou auditorias externas e um plano de redução de custos que inclui o fechamento de agências deficitárias.

Qual a situação jurídica atual de Paulo Henrique Costa?

Ele encontra-se sob prisão preventiva determinada pelo STF. As acusações incluem corrupção passiva, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, aguardando a conclusão do inquérito da Polícia Federal.