
Carabao Cup: virada no Molineux — Wolves 3-2 West Ham
Um pênalti na trave, um reserva iluminado e uma virada em dois minutos. O Wolves arrancou um 3-2 dramático sobre o West Ham no Molineux e transformou uma noite copera comum em roteiro de cinema. Em jogo válido pela Carabao Cup, os donos da casa saíram na frente, sofreram a virada e, já na reta final, conseguiram o triunfo com um dobro relâmpago de Jørgen Strand Larsen. A casa recebeu 19.561 torcedores, que deixaram o estádio em êxtase.
O placar começou a girar aos 43 minutos. Hwang Hee-chan cobrou pênalti, a bola explodiu na trave e sobrou para Rodrigo Gomes completar no rebote. O West Ham reagiu após o intervalo: Tomáš Souček empatou de cabeça aos 50, aproveitando cruzamento certeiro de Kyle Walker-Peters. A virada veio aos 63, quando Lucas Paquetá se atirou na bola cruzada por Jarrod Bowen e colocou os Hammers em vantagem.
Quando o jogo parecia controlado para os visitantes, o banco do Wolves mudou a história. Entrando na segunda etapa, Jørgen Strand Larsen foi decisivo: marcou aos 82 e aos 84 minutos, aparecendo no lugar certo na área para empatar e, logo depois, virar. O West Ham, então, ficou sem tempo e sem respostas.
- 43' — Rodrigo Gomes (Wolves): 1-0, no rebote do pênalti de Hwang no poste.
- 50' — Tomáš Souček (West Ham): 1-1, cabeçada após cruzamento de Walker-Peters.
- 63' — Lucas Paquetá (West Ham): 1-2, completando bola vinda de Bowen pela direita.
- 82' — Jørgen Strand Larsen (Wolves): 2-2, presença de área após jogada pelos lados.
- 84' — Jørgen Strand Larsen (Wolves): 3-2, frieza dentro da área para decidir.
A primeira etapa teve cara de copa: divididas fortes, ritmo alto e pouca paciência para construir com toques longos. O Wolves foi mais direto, buscou a área com velocidade e arrancou o pênalti que Hwang não converteu por centímetros — mas Rodrigo Gomes não desperdiçou a sobra. O West Ham, até então, alternava entre fechar a casa e apostar nas escapadas de Bowen pela direita.
O intervalo mudou o tom. O time de Graham Potter voltou mais agressivo pelos lados, empurrou o Wolves para trás e equilibrou as ações aéreas. Walker-Peters achou Souček com precisão no primeiro pau, lance que virou senha para a pressão londrina. Pouco depois, Bowen cruzou de novo com veneno e Paquetá atacou o espaço na área para virar o jogo. O Molineux ficou tenso; o West Ham, confiante.
O roteiro que parecia pró-Hammers desandou no detalhe que define mata-mata: profundidade de elenco. As trocas do Wolves deram oxigênio às pontas e volume dentro da área. Strand Larsen, frio e eficiente, atacou a zona de finalização duas vezes em sequência. Não foram chutes de longe nem golaços plásticos, mas gols de camisa 9: posicionamento, leitura do lance e toque certo.
O ambiente pesou. O empate reacendeu a arquibancada, e o gol da virada levantou o estádio, mudando a inércia do jogo nos minutos finais. O West Ham tentou empilhar cruzamentos e acelerar o passe, mas já sem a mesma organização de antes das substituições adversárias. O relógio correu contra, e o Wolves administrou com maturidade a vantagem recém-conquistada.
Do ponto de vista tático, o duelo expôs as forças e as brechas de cada lado. O West Ham produziu boas situações quando acelerou pelos corredores, especialmente com Bowen, e explorou bem a chegada de Souček. Faltou, porém, fechar a área nos momentos de transição defensiva após cruzamentos contrários. O Wolves fez valer a pressão no último terço, foi insistente na bola alçada e viu a aposta no centroavante de ofício render dividendo duplo.
A arbitragem ganhou holofote no lance do pênalti, mas o jogo não se decidiu ali. O Wolves teve mérito ao manter a mente no lugar depois do erro na cobrança. E o West Ham, que sustentava o resultado, sentiu o golpe do 2-2 mais do que deveria. Em mata-mata curto, um minuto de desatenção custa caro — em dois minutos, custa a classificação.
O que fica do jogo e próximos passos
Para o Wolves, a noite vale mais do que a vaga. Virada nos minutos finais cria lastro emocional para a sequência da temporada e dá confiança a quem sai do banco para resolver. Rodrigo Gomes se firma como peça agressiva pelos lados, Hwang participa de forma incisiva mesmo com o pênalti na trave, e Strand Larsen ganha argumento forte por mais minutos.
Para o West Ham, pesa a sensação de controle perdido. O time de Graham Potter mostrou organização, reagiu bem ao intervalo e teve qualidade para virar fora de casa. O desafio, agora, é ajustar a gestão do resultado quando o adversário empilha bolas na área e muda a estrutura ofensiva. O elenco tem ferramenta para isso; falta não se desligar quando a temperatura sobe.
No formato da Carabao Cup, clubes da Premier League que não disputam competições europeias entram no segundo turno, o que torna duelos como este armadilhas: ritmo desigual e ambientes hostis. O Wolves avança ao terceiro round e aguarda o sorteio para conhecer o próximo adversário. Seja quem for, a mensagem está dada: Molineux fica pesado em noite de copa.
O West Ham volta as atenções para a Premier League. No domingo, 31 de agosto, visita o Nottingham Forest no The City Ground, atrás de resposta rápida e de pontos que estabilizem o início de trabalho. A atuação trouxe sinais positivos — criação pelos lados, chegada de área com Souček e participação decisiva de Paquetá —, mas a lição defensiva nos minutos finais vai para o quadro da análise.
Destaques individuais do jogo:
- Jørgen Strand Larsen — entrou e decidiu com dois toques letais na área.
- Rodrigo Gomes — oportunismo no gol e entrega constante pelo corredor.
- Hwang Hee-chan — errou a cobrança, mas seguiu sendo referência de profundidade.
- Tomáš Souček — presença de área e leitura do espaço no empate.
- Lucas Paquetá — inteligência para atacar o cruzamento e virar o placar.
No fim, o placar conta a história de um jogo que mudou de dono três vezes. E, em noite de copas, quem aguenta o tranco até o apito final costuma sair sorrindo.